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O exercício físico como alternativa aos estimulantes na perturbação de hiperatividade e défice de atenção
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1. Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental, Centro Hospitalar Barreiro-Montijo
Objetivos: A perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é uma das doenças de neurodesenvolvimento mais comuns, geralmente diagnosticada em criança, e cujos sintomas se mantêm na adolescência e vida adulta. Nas últimas décadas, em resposta ao mais frequente diagnóstico desta doença, tem se verificado uma prescrição crescente de estimulantes. Contudo, os efeitos adversos desta medicação não são desprezíveis e tem surgido a necessidade de explorar opções terapêuticas alternativas, preferencialmente mais seguras. Neste trabalho reunimos a mais recente evidência científica relativa aos benefícios do exercício físico em doentes com PHDA.
Metodologia: Revisão não sistemática da literatura em plataformas de pesquisa científica como Pubmed e Google Scholar, com as seguintes palavras-chaves “AHDH”, “Physical exercise”.
Resultados e Discussão: O exercício físico, de uma forma global, tem potencialidades já amplamente conhecidas, no que diz respeito à melhoria do bem-estar, crescimento, aumento da densidade mineral óssea e redução global de níveis inflamatórios. Contudo, nos últimos anos têm estado sob maior foco os seus benefícios a nível psicológico e cognitivo, e o benefício terapêutico em determinadas perturbações psiquiátricas, como a PHDA. Os exercícios aeróbicos particularmente, mostram múltiplas mais valias, quer a curto ou longo prazo. De forma aguda e a curto prazo, verificou-se maior capacidade de controle de impulsos e diminuição de comportamentos de oposição, melhoria da atenção e diminuição da semiologia ansiosa e depressiva. Postula-se que estas mudanças se relacionem, em parte, com o aumento de dopamina, tirosina hidroxilase e do fator neurotrófico derivado do cérebro, que está tipicamente reduzido em doentes com PHDA. Além disto, correlaciona-se também com um aumento da atividade vagal, anti-álgica e antidepressiva e diminuição de hormonas de stress. A longo prazo, verificou-se uma consistente melhoria de algumas funções executivas, atenção, memória de trabalho e raciocínio, além de uma global adequação comportamental. Apesar destes efeitos serem maioritariamente estudados em população pediátrica, também surgem as primeiras evidências destes benefícios em adultos com PHDA, maioritariamente a nível da impulsividade e atenção.
Conclusão: A prática de exercício físico regular pode constituir uma alternativa terapêutica segura e económica ao uso de estimulantes, para crianças e adultos com PHDA, com benefícios a curto e longo prazo.
Próxima comunicação oral: Intervenções baseadas em mindfulness na prática da Psiquiatria