Medicina do Estilo de Vida

A Medicina do Estilo de Vida pode ser entendida como uma abordagem baseada em evidência científica que utiliza intervenções dirigidas ao estilo de vida com o objetivo de prevenir, tratar e, em muitos casos, reverter condições crónicas não transmissíveis relacionadas com os hábitos de vida. Entre estas incluem-se, por exemplo, a diabetes tipo 2, a obesidade, a hipertensão arterial e algumas doenças oncológicas.

Esta área do conhecimento distingue-se por colocar o utente no centro do processo terapêutico, como parceiro ativo na gestão da sua saúde. O papel do profissional de saúde é o de educar, orientar e apoiar a adoção de comportamentos saudáveis, abordando as causas subjacentes da doença. Sempre que necessário, e de acordo com a melhor evidência científica, a terapêutica farmacológica ou cirúrgica é utilizada como componente paralelo às mudanças no estilo de vida.

Origem e evolução do conceito

O termo lifestyle medicine foi associado pela primeira vez a resultados em saúde numa comunicação oral intitulada “Cancer control and lifestyle medicine”, apresentada em Bruxelas em 1989 (1). No ano seguinte, em 1990, surgiu pela primeira vez no título de uma publicação científica: Ethos der lebenshantung als aufgabe der präventiv medizin (Lifestyle and preventive medicine) (2).

Em 1999, Rippe publicou o livro académico “Lifestyle Medicine”, onde apresentou a primeira definição formal: “a disciplina que estuda como os hábitos e práticas diárias impactam a prevenção e o tratamento da doença, frequentemente em conjunto com terapêutica farmacológica ou cirúrgica, constituindo um importante adjuvante para a saúde global” (3,4). Este livro é reconhecido como uma importante referência no desenvolvimento desta área.

Em 2010, reforçando o potencial dos comportamentos de saúde na redução da mortalidade, da morbilidade e dos custos em saúde, o conceito passou a ser descrito como uma “prática baseada em evidência que ajuda indivíduos e famílias a adotar e a manter comportamentos que melhorem a saúde e a qualidade de vida”. Nesse mesmo período, foram também propostas competências nucleares em Medicina do Estilo de Vida para médicos de cuidados de saúde primários, nomeadamente: liderança, conhecimento científico, capacidade de avaliação, competências de gestão e utilização de recursos comunitários e institucionais (5).

Pilares estruturais da Medicina do Estilo de Vida

A Medicina do Estilo de Vida assenta em seis pilares fundamentais e interligados:

  • Alimentação saudável
  • Atividade física regular
  • Evicção de substâncias nocivas
  • Saúde do sono
  • Gestão do stress
  • Relações sociais saudáveis

Bibliografia:

1. Wynder EL. Cancer control and lifestyle medicine. Present and future of indoor air quality: proceedings of the Brussels Conference. 1989.

2. Urbanek H. Ethos der lebenshantung als aufgabe der praventiv medizin (lifestyle and preventive medicine) Osterreichische Krankenhaus-Zeitung. 1990.

3. Rippe JM. Lifestyle Medicine: The Health Promoting Power of Daily Habits and Practices. American Journal of Lifestyle Medicine. 2018 Nov;12(6):499–512.

4. Rippe JM. Lifestyle medicine. 1st ed. USA: Blackwell Science; Malden, Mass.; 1999.

5. Lianov L. Physician Competencies for Prescribing Lifestyle Medicine. JAMA. 2010 Jul 14;304(2):202.

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